Adolescentes Acusados de matar Travesti a pauladas no Acre São Denunciados por Três crimes

Rafael Kewiw Braga e Vitor Alexandre Junqueira, acusados de matar a travesti Fernanda Machado da Silva a pauladas, viraram réus no processo após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público do Acre (MP-AC). O processo tramita na Vara de Delitos de Organizações Criminosas.

O MP, por meio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou a dupla por crime de tortura com resultado de morte; corrupção de menor e organização criminosa. A denúncia foi recebida no último dia 3 e o processo está aguardando citação. Após a citação, serão apresentadas as defesas preliminares e a audiência deve ocorrer entre final de janeiro e começo de fevereiro, segundo o Tribunal de Justiça.

Fernanda estava em um ponto de prostituição no bairro Preventório em junho deste ano quando foi abordada por homens que a acusavam de ter roubado um celular. Mesmo negando, ela foi agredida e morreu ainda no local. Braga e Junqueira estão presos desde o dia 3 de agosto.
O laudo da polícia técnico-científica do Instituto de Criminalística comprovou que Fernanda foi agredida por uma ou mais pessoas, caindo algumas vezes no chão. Além disso, segundo o documento, as agressões foram com pedras, pedaços de madeira e tijolo. Porém, não foi possível precisar o ferimento que causou a morte da travesti.
Em depoimento, familiares confirmaram que Fernanda fazia uso de entorpecentes na rua e também se prostituía, mas que não cometia crimes. Na época, várias entidades ligadas à comunidade LGBTQIA+ no estado lançaram nota e pediram respostas sobre o crime. O Ministério Público do Acre (MP-AC) também acompanha o caso e o Judiciário aguarda a formalização da denúncia contra os suspeitos.

Em outubro, o G1 divulgou prints anexados ao inquérito policial, que mostram troca de mensagens entre Rafael e o segundo suspeito, Vitor, que está identificado no aplicativo de mensagem como “Shorouco”.
A conversa segue, Vitor diz que os dois devem sofrer represálias por conta do crime e Rafael rebate: “Até parece que só foi eu… Depois que cheguei já espocando, vocês já emendaram comigo”, responde.

Logo, Vitor volta a culpar Rafael pela morte de Fernanda. “Tu espoco [sic] o cara de novo, nós já tinha batido, pra que tu foi bater no cara de novo com aquela ripa véia fuleira [sic]”.
Além disso, o processo contém imagens de câmeras de segurança de um posto de combustíveis que mostra o momento em que os suspeitos aparecem com pedaços de madeira antes de cometerem o crime.

Foi por conta dessas provas que o juiz titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Alesson Braz, entendeu que manter os dois presos era uma questão de garantia da ordem pública. Em depoimento, Rafael negou o crime. Já o comparsa, confirmou as agressões, mas garantiu que não havia matado a travesti, colocando a culpa em Rafael. Os dois foram indiciados por homicídio qualificado.
Fonte G1