Conselho Regional de Medicina pede investigação contra dono de clínica de hipnose que oferecia 'cura gay' no DF

 

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), Farid Buitrago Sánchez, afirmou, nesta quarta-feira (11), que vai pedir ao Ministério Público do DF uma investigação contra o dono de uma clínica de hipnose em Brasília que oferecia terapia de reversão sexual, conhecida como "cura gay".

Gabriel Henrique de Azevedo Veloso anunciava o tratamento para o "homossexualismo" (sic) – a palavra não é mais utilizada por especialistas devido ao sufixo -ismo, que remete a doença. Ele cobrava R$ 29,9 mil pelo serviço, com "garantia vitalícia". Ele nega preconceito e diz que houve um "mal entendido". A Polícia Civil investiga o caso (saiba mais abaixo).

O proprietário da clínica é registrado como psicólogo. Para o CRM, ele oferecia supostos tratamentos psiquiátricos e, portanto, estaria "exercendo atividades que são competentes dos médicos". A entidade também se posiciona contra esse tipo de "terapia", que é vetada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e, em 2019, foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Gabriel é investigado pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin). Ele prestou depoimento na última segunda-feira (9).

Segundo a delegada Ângela Maria dos Santos, Henrique de Azevedo "negou que tenha tido a intenção de discriminar qualquer grupo de pessoas".

Ao G1, Gabriel Henrique contou, no domingo (8), que atua na área desde 2007 e afirmou que o caso "foi um mal-entendido". Ele disse que "a palavra homossexualismo tem uma conotação negativa e já foi retirada do site".

A investigação é para verificar se o hipnoterapeuta tem registro profissional e se houve dolo na conduta do investigado. "Com as provas, a polícia verificará se houve ou não o dolo, necessário para o enquadramento do tipo penal, como exercício ilegal da profissão e crime de homotransfobia", afirma Ângela Maria dos Santos.

Fonte:G1