Espera por cirurgia de redesignação sexual pode levar até 18 anos na rede pública

 

Um levantamento feito pela Defensoria Pública de São Paulo aponta que a espera por uma cirurgia de redesignação sexual pode levar até 18 anos na rede pública de saúde. De acordo com dados do órgão, 585 homens trans e 648 mulheres trans estão na fila pra fazer o procedimento em São Paulo.


 

Em todo o estado de São Paulo apenas dois hospitais fazem a cirurgia de redesignação sexual em mulheres trans, um deles é o Hospital das Clínicas. Por ano, são realizados, em média, 24 procedimentos deste tipo.

Com base nisso, a Defensoria Pública do estado de São Paulo moveu uma ação civil pública pedindo a reorganização do sistema. Alguns dos pontos questionados pelo documento são:

A falta de transparência sobre as filas de usuários; A indefinição quanto ao tempo de espera para realização dos procedimentos; A indefinição sobre quem deve gerir a cirurgia de redesignação sexual como política pública. “A gente pede que o estado não só organize a política pública, preveja o órgão centralizador dessa política - que vai, na verdade, aí, gerir do ponto de vista estadual essa política, porque, hoje, a gente não tem isso definido [...] mas, também, a gente pede a existência de um sistema público da gestão dessas filas, que poderia trazer não só mais transparência, mas também mais eficiência”, afirma Vinicíus Silva, coordenador do núcleo da defesa da diversidade e da igualdade social da Defensoria Pública de São Paulo.

Diogo Almeida se identifica com o gênero masculino. Há 7 anos ele começou a tomar hormônios e desde então aguarda para realização da cirurgia de redesignação sexual.

“Ainda existem casos de situações que eu passo onde eu, por exemplo, tô na rua e preciso usar o banheiro, só que acontece deu entrar nesse banheiro masculino e ele só ter mictório. Então, é um banheiro que ele não comporta o meu corpo, já aconteceu de eu ter que voltar pra casa pra poder usar o banheiro”, conta Diogo.

Em uma casa no bairro de perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, uma equipe multidisciplinar, liderada pelo psiquiatra Alexandre Saadeh,, acompanha os jovens pra que eles estejam prontos para a cirurgia.

“Se tivesse uma determinação política de aumentar, não precisa ser pra sempre, mas, assim, ter mais cirurgias, mais centros especializados na cirurgia, aliviaria muito essa população”, conta Alexandre Saadeh, coordenador do amigos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde disse que vai prestar os esclarecimentos à Defensoria Pública. Disse ainda que apenas 4% dos pacientes na fila estão aptos a fazer a cirurgia neste momento, pois o procedimento exige uma preparação prévia de cerca de dois anos, com psicólogos, psiquiatras, endocrinologistas, urologistas e ginecologistas. A pasta disse ainda que, desde 2019 foram realizadas 120 cirurgias, entre genitoplastias e mamolastias e que quatro hospitais públicos realizam os procedimentos.