MAIS DE 50% DOS LGBT DIZEM TER SOFRIDO ALGUMA VIOLÊNCIA DURANTE O GOVERNO BOLSONARO


Durante o período eleitoral no Brasil, episódios de intimidação aumentaram a ansiedade entre grupos que já se sentiam vulneráveis por discursos feitos no passado, e hoje negados, pelo então candidato Jair Bolsonaro. Horas antes da apresentação do estudo da ILGA, Bolsonaro declarou em Washington, após uma reunião com Donald Trump: "Respeitamos a família tradicional, somos tementes a Deus, contra a ideologia de gênero, do politicamente correto e das fake news".


Este tipo de discurso vem deixando marcas na população LGBTI brasileira. A pesquisa "Violência contra LGBT+ no contexto eleitoral e pós-eleitoral", produzida pela Gênero e Número e financiada pela Fundação Ford, mostra que 51% dos entrevistados sofreram pelo menos uma agressão desde as eleições de 2018. As mulheres lésbicas são as que mais declararam ter sofrido violência (57%), seguidas das pessoas trans e travestis (56%), gays (49%) e bissexuais (44,5%).

Cresce violência contra pessoas LGBT; a cada 25 horas, uma é ...A violência verbal foi a mais prevalente, em 94% dos casos, seguida de tratamento discriminatório (56%), assédio moral (54%) e violência física (13%). O levantamento foi feito com 400 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Por ter identificado tipos de violências que podem ocorrer simultaneamente, a somatória não é 100%.

As ruas ou espaços públicos são os locais onde os episódios de violência são mais comuns (83%). Também são comuns agressões em comércio ou serviço público (46%), ambientes familiares (38,5%), mercado de trabalho (23%), escola/universidade (19%) e espaços religiosos (12%).

Pesquisa ELPAIS