Homens gays e mulheres trans são mais vulneráveis ao HIV


O infectologista Rico Vasconcelos, coordenador médico do centro de pesquisa da PrEP injetável na Universidade de São Paulo (USP), explica que o Brasil foi escolhido para participar porque tem uma epidemia de HIV concentrada entre homens gays e bissexuais e mulheres trans, que são o público-alvo do estudo.

Ilustração do vírus HIVPesquisas mostram que, enquanto 0,4% dos brasileiros vivem com o vírus na sociedade em geral, entre homens gays e bissexuais, são mais de 18% - na cidade de São Paulo, chega a quase 25%. Entre mulheres trans, pode passar de 40%.

Vasconcelos avalia que estas pessoas são hoje mais vulneráveis ao vírus porque, entre outros motivos, não houve por muito tempo políticas públicas de educação e saúde específicas para elas. Isso contribuiu para elevar o índice de pessoas com HIV nestes grupos e fez com que seja hoje mais provável que um homem gay ou bissexual e uma mulher trans entrem em contato com o vírus.

"O senso comum é de que a culpa é da vítima, que um homem gay ou bissexual e uma mulher trans pegam HIV porque querem, mas faz 38 anos que temos uma epidemia concentrada nestes grupos, e a primeira vez que o Ministério da Saúde fez algo específico para protegê-los foi há pouco mais de um ano, quando incluiu a PrEP no SUS, priorizando esses grupos", diz o infectologista.

Vasconcelos afirma ser comum que um jovem gay, bissexual ou trans comece a transar sem ter recebido educação sexual ou sido informado sobre a epidemia de HIV nestes grupos.

Ao mesmo tempo, não podem muitas vezes falar abertamente sobre sua vida sexual com a família e amigos e, quando procuram um serviço de saúde, há chances de não serem bem acolhidos. "A homofobia e a transfobia também transmitem HIV", diz o infectologista.

Reportagem: BBCNEWSBR

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