Pastora Damares faz aliança com a comunidade LGBT

A futura ministra de Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, se reuniu nesta quinta-feira (20) com lideranças da Aliança Nacional LGBTI+ e outras 33 instituições defensoras dos direitos LGBT, no escritório de transição do governo Bolsonaro, em Brasília. 
A pastora evangélica foi indicada como ministra pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que toma posse em 1º de janeiro.
A reunião durou pouco mais de três horas. Damares recebeu do grupo um documento de 18 páginas com reivindicações como a manutenção de uma diretoria específica no Ministério para questões de direitos humanos da população LGBTI+ e o fortalecimento do Disque 100, serviço de ligações gratuitas mantido pelo Ministério para receber denúncias de violações aos direitos humanos.
"Abre-se uma porta de diálogo entre a comunidade LGBTI+ e o governo Bolsonaro", disse a futura ministra.
Após o encontro, membros da Aliança LGBTI+ relataram que a ministra se comprometeu a manter o diálogo com os movimentos ligados ao tema e ao combate à violência e à discriminação, promovendo campanhas para reduzir os assassinatos motivados por homofobia, o ódio a homossexuais.
Eles também relataram que Damares teria reafirmado o respeito a direitos LGBT garantidos por decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), como a união civil homoafetiva. "Ela falou que direito adquirido se respeita", relatou Toni Reis, diretor presidente da Aliança Nacional LGBTI+.
Reis elogia a decisão da ministra de convidar os grupos para uma reunião e diz esperar manter o diálogo com a base conservadora do governo Bolsonaro.
"Dialogar com pessoas que pensam como a gente é fácil, agora será mais complexo e teremos que ter habilidade intelecutal de dialogar com pessoas que pensam diferente", disse.
O diretor da Aliança, no entanto, prevê futuros embates com o novo governo. "A palavra talvez seja distancionamento da relação. Claro que vai ter embates, a gente não pode dourar a pílula e dizer que vai ser uma maravilha", afirma.
"A reunião não foi de adesão ao governo Bolsonaro, mas sim de diálogo com o Estado brasileiro", diz Reis.

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