Super DragsDesenho da netflix com drags super poderosas

As polêmicas em torno do lançamento de Super Drags, novo desenho da Netflix, foram tantas que a expectativa pela estreia cresceu entre os espectadores do serviço de streaming. No entanto, lançado na última sexta-feira (9), o desenho de cinco episódios ficou devendo em diversos aspectos e peca por não apresentar uma história consistente
É como assistir a uma versão moderna de Meninas Super-Poderosas, mas para adultos, com excesso de memes e pajubá - o dialeto do público LGBT que até virou questão do Enem na semana passada. No fim das contas, Super Drags é um entretenimento que tenta entrar em questões relevantes sobre o universo gay e como a sociedade lida com elas, mas não consegue se aprofundar de uma forma satisfatória.

Para começo de história, o trio de protagonistas é simplório: Donizete, Patrick e Ralph, que se transformam em Scarlet Carmesin, Lemon Chifon e Safira Cyan, possuem trejeitos característicos e representam bem os estereótipos do mundo LGBT. As heroínas lutam contra injustiças, o "boy padrãozinho" e até uma clínica que se diz capaz de promover a cura gay. No meio disso tudo, Lady Elza tenta conquistar seu brilho ao tentar acabar com o show de Goldiva, a diva pop amada pelos personagens.

É claro que a polêmica foi importante no meio disso tudo. As formas como as drags encaram seus vilões - desde raio lasers em arco-íris até camisinhas infláveis gigantes - e as frases de efeito justificam a classificação indicativa de 16 anos, mas não são algo de outro mundo. Em vários momentos, a dublagem tenta forçar a utilização de memes, como "a senhora é destruidora mesmo" (referenciando o reality show de drags Glitter), o que torna tudo cansativo e sem criatividade.

Outro ponto que incomoda em Super Drags é a dublagem. Em alguns momentos, a necessidade de se apropriar do pajubá deixa o som muito baixo aos términos das frases, o que incomoda e requer um esforço a mais para entender. Goldiva, a cantora amada pelo trio de drags e a grande mocinha da história, é dublada pela cantora Pabllo Vittare decepciona: mesmo sendo um personagem importante, causa incômodo com sua voz aguda demais em alguns momentos.

Em resumo, Super Drags até distraí, arranca alguma risada inocente entre um episódio e outro, mas peca pelo excesso de referências ao mundo gay.
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