O próximo passo na libertação da religião:


Como antirreligioso, devo saber que o mundo é governado por coisas que não existem, mas são reais. Muitos passaram pelo fato de que algumas lendas não existem, perderam as crenças nos fantasmas que antes os assustavam, mas seguem observando leis fantasmáticas sem pensar que não, se nenhuma religião é verdadeira, nenhum preceito também é verdadeiro. Na verdade, nada é verdadeiro. Por fim, cabe ao homem racional não acreditar em nada que não haja evidência real de sua existência. Por que isso não funcionaria também para a moral? Antirreligiosos devem trocar uma moral baseada em costumes por uma moral baseada em evidências racionais.
E por que eu digo isso? Vamos ser sinceros, muitos aqui querem se desvencilhar das dores da moral que os seguram, mas não querem jogar toda a imundície dos costumes fora. Obedecem a homens mortos, obedecem a preceitos antigos, servem ao que já foi apagado pelas correntes do tempo. Celebram com alegria o fato de que as correntes da alma já foram refutadas pela ciência, mas prendem-se às mesmas correntes enquanto deviam soltá-las e cantar em júbilo as festas da liberdade, preferindo louvar cadáveres.
Somos o tempo todo escravos de coisas que nunca existiram, e que mal faz acreditar que nossos ancestrais viviam e sonhavam por ilusões, não é o mundo assim movido? Sociedades inteiras viveram presas num vão escuro de sonhos, enquanto nós, pela primeira vez na história, temos a oportunidade de reconstruir a sociedade na base da razão, sem a intervenção de mais nenhuma superstição, pois já não há nenhum algoz que subsista.
E por que tenho que dizer tudo isso? Porque sei que vocês desejam aceitação social, desejam ser amados pela sociedade, mas para que isso aconteça, não há necessidade de se prender a mentiras, nem de censurar nada, coisa nenhuma, pelos critérios da moral antiga. O mundo vive uma fase de transvaloração dos valores e isso é muito bom. E é digno que já não mais se censure nada, nenhuma coisinha sequer, pelos padrões de nossos algozes. Que mal faz se aplicam um termo mal visto contra um personagem sagrado? É feio agora jogar pedras na cruz? A mesma cruz que jogou pedras nos livres pensadores? Não subsiste mais nenhum pilar que sustentava o algoz, por que amá-lo?






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