28 de Junho dia mundial do Orgulho LGBT saiba tudo sobre esta data


Resultado de imagem para Dia do Orgulho LGBTEm 28 de junho de 1969, por volta de 1h20 da manhã, o oficial Seymour Pine da Divisão de Moral Pública, junto de outros guardas disfarçados, invadiu o bar gay Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich, Nova York. Prendeu diversos clientes, alegando “conduta imoral”, mas o objetivo real era coagir a comunidade LGBT. Batidas policiais em ambientes da comunidade eram frequentes, muitas vezes com demonstração de brutalidade e abuso de autoridade.
 Desta vez, porém, as coisas não seguiram o roteiro habitual. Como o transporte dos presos demorou muito para ser efetuado, uma multidão de simpatizantes começou a crescer fora do local. Esse número só aumentou com o passar das horas, isolando a força policial dentro do bar. Estima-se que as autoridades ficaram mais de 45 minutos cercada, sem se mexer, com medo da represália.
 Uma mulher algemada finalmente foi escoltada para fora, mas conseguiu se soltar e começou a incitar o público. Não deu outra: em poucos minutos de troca de insultos, o protesto contra a LGBTfobia policial se tornou violento, com confronto direto entre tiras e membros da comunidade LGBT. Foi necessária a chegada da Força de Polícia Tática de Nova York para ajudar os oficiais sitiados.
Resultado de imagem para ]bar gay Stonewall Inn A multidão só foi totalmente dispersada às 4h. Porém, no dia seguinte, outras manifestações tomaram conta do local – e se espalharam por outros pontos da cidade. Os eventos que ocorreram no Stonewall Inn levaram às primeiras paradas de orgulho LGBT, como a marcha que aconteceu em 1970, do bairro Greenwich até o Central Park. A data foi considerada o marco zero pela luta por direitos civis das minorias LGBT e logo foi adotada em outros pontos do mundo. Junho também passou a ser considerado o Mês do Orgulho LGBT.
Infelizmente, a perseguição, discriminação e as violências contra pessoas por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero – real ou percebida – não acabou. No relatório ”Making love a crime”, a Anistia Internacional mostra que em 38 países da África, a homossexualidade é criminalizada por lei, e ao longo da última década houve diversas tentativas de tornar estas leis ainda mais severas.
Ativistas pelos direitos LGBTI em Uganda ainda estão lutando contra a tentativa de aprovação da chamada “Lei Anti-Homossexualidade”, que propõe até mesmo a pena de morte para o crime de “homossexualidade agravada”, e que criminaliza qualquer um que não denuncie pessoas “envolvidas na homossexualidade”. Propostas similares foram aprovadas em países como o Sudão do Sul, Burundi, Nigéria, Libéria, Mauritânia e Somália nos últimos anos.
Recentemente, a Câmara Baixa do Parlamento russo aprovou um projeto de lei que torna ilegal o ativismo de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, intersex e de seus simpatizantes. “Em algumas horas, a Duma aprovou duas leis que são um testemunho da crescente limitação da liberdade de expressão na Rússia. Representam uma lamentável tentativa do governo de reforçar sua popularidade jogando com os elementos mais reacionários da sociedade russa à custa de direitos fundamentais e da expressão da identidade pessoal”, disse John Dalhuisen, diretor do Programa da Anistia Internacional para a Europa e Ásia Central.
Em 2012, o Grupo Gay da Bahia relatou 338 homicídios de gays, travestis e lésbicas, o que corresponde a um assassinato a cada 26 horas, causados por ódio a homossexuais e pessoas trans. O trabalho incansável de ativistas desta organização, combinado com a crescente cobrança do movimento LGBTI brasileiro, e em resposta à crescente pressão popular para que estes crimes fossem adequadamente apurados e investigados, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) instalou uma central para recebimento de denúncias de violações de direitos humanos da população LGBTI.
Entre janeiro e dezembro de 2012, o serviço registrou 9.982 denúncias, conforme relatório publicado ontem (27). A SDH informou que estes dados comporão uma série histórica de informações sobre homofobia e transfobia no Brasil, e serão usados para delinear melhores políticas e ações de enfrentamento à homofobia no país.
A Anistia Internacional no Brasil se solidariza com a comunidade LGBTI e com todas as pessoas que lutam pela construção de uma realidade em que a discriminação, o estigma e a violência baseados na orientação sexual e identidade de gênero não tenham mais espaço.
Que Stonewall Inn continue nos inspirando, hoje e sempre.
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